quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A Luz que vem de Deus

Na Gruta de Belém Maria deu a luz, nasceu um menino. Aos Pastores foi anunciado: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Cf.Lc. 2,11). O Apóstolo São João diz no seu evangelho: “No principio era a Palavra e a Palavra estava com Deus [...] Nela estava a vida e a vida era a Luz dos homens. E a  Luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la” (Cf.Jo.1,1-5).  
Quando pensamos na importância da luz, pensamos que a luz só tem sentido para iluminar o escuridão, auxiliar nossa visão, seja num ambiente fechado e principalmente durante a noite nos possibilitar o movimento, seja para o trabalho ou para o lazer. Mas a Luz que foi anunciada pelos anjos, contemplado pelo Apóstolo e que os cristãos a invocam em sua fé é a Luz que vem de Deus. Esta luz é o próprio Deus que se fez homem e veio habitar no meio de nós.
Com a vinda de Jesus que é  a Luz para os povos, todos nós fomos libertados das trevas que nos cercavam, ou seja, as trevas do pecado original a qual nos envolveu. Com a Luz de Cristo podemos caminhar seguros de que o mal não tem poder sobre nós. A Luz de Cristo tem o poder de afastar de nós as investidas de satanás que quer a todo momento fazer com que os filho de Deus se percam. 
Celebrar este grande acontecimento que é o nascimento do Menino-Deus é celebrar a vinda da Luz sobre nós. A mesma Luz que brilhou na manjedoura brilhou na Cruz, brilhou com o olhar de Cristo e com os raios de misericórdia que jorrou de seu Coração.  Seus raios de misericórdia continuam a brilhar para todos que os invocam. Ao invocarmos sentimos que a claridade nos ajuda a construir a nossa história. Não tenhamos medo da luz de Jesus, ela não nos condena, e sim nos ajuda a tomarmos consciência de que somos filhos da Luz. Nos ajuda também a descobrir que existe em nós uma fonte de amor capaz de construir laços profundos de amizade, seja na família, no trabalho e na sociedade em que vivemos.  
Peçamos ao Menino Jesus que ilumine o nosso coração e nos liberte daquelas trevas que nos atrapalham a viver em paz e sermos instrumentos de Paz. Desejo a todos os amigos, benfeitores, homens e mulheres que acreditam na luz que vem de Deus um Santo e feliz Natal.
Dom Estevão da Divina Misericórdia, MDM
Prior do Mosteiro da Divina Misericórdia

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Encerramento do Ano Santo da Misericórdia

Estamos às vésperas do encerramento do Ano Santo da Misericórdia, Ano Jubilar Extraordinário. Podemos dizer: Deus é Misericordioso. O Ano Santo nos ofereceu tantas riquezas, nos deu oportunidades de nos aprofundar no maior atributo que podemos dar a Deus – Ele é misericórdia – como já nos disseram Santa Faustina, São João Paulo II, tantos outros santos e teólogos.  
O Papa Francisco nos convocou a sermos “misericordiosos como o Pai”. Ele não inventou um estilo novo de sermos cristãos, não! Ele como Pastor fez ecoar a voz do Filho de Deus, o Verbo encarnado, que é para nós crentes a Voz da Misericórdia. Foi Jesus quem nos pediu para sermos “misericordiosos como o Pai”. E é muito o que a Igreja neste ano está nos pedindo?  É muito o que Jesus nos pediu? Sermos “misericordiosos como o Pai”. Não! E como sermos misericordiosos como o Pai. Na maioria das vezes não é fácil sermos misericordiosos. E Deus sabe disso!
A bula Misericordiae Vultus do Papa Francisco e tantos outros escritos deste ano jubilar nos ajudaram a tomarmos consciência da nossa miséria, de nos percebermos frágeis. Ajudaram-nos a sentirmos que Deus nos oferece a sua misericórdia justamente porque somos miseráveis e frágeis. Os anjos, por sua vez, não necessitam da misericórdia Divina, nós sim precisamos da misericórdia de Deus pois somos pecadores. Diante desta realidade que toca a nossa natureza marcada pelo pecado original, decaídos da natureza santa a qual fomos criados, só existe uma maneira de sermos “misericordiosos como o Pai”. Qual é esta maneira? Entrarmos pela “Porta Santa”.
O Papa Francisco ao decretar o Ano Santo da Misericórdia foi sensível à misericórdia que se derrama continuamente do Coração de Jesus. Motivou que todos os bispos abrissem em suas dioceses, nas Catedrais e Igrejas significativas, as Portas Santas, para oferecer oportunidade para todos os católicos praticantes e não praticantes, como peregrinos a fazerem a experiência do perdão e de sentirem-se abraçados por Deus. A Porta Santa de cada Catedral e Igrejas abençoadas solenemente, se tornaram símbolos da verdadeira Porta Santa, que é o Coração de Jesus misericordioso. As inúmeras Portas Santas espalhadas pela Igreja universal teve e está tendo um único objetivo: que entremos na “Porta do Coração de Jesus”, que se deixou abrir pela lança do soldado naquela hora suprema, na sexta-feira Santa – Hora da misericórdia. E ao abrir, jorrou Sangue e Água, Fonte de misericórdia para todo pecador. A porta do coração de Jesus misericordioso permite a cada um de nós voltarmos para a intimidade com o Pai. Intimidade que havíamos perdido quando pela queda de Adão e Eva deixamos de olhar para Deus, nos tornamos orgulhosos e deixamos de contemplar o Criador e suas obras. Voltamos o olhar para nós. Com isso nos tornamos miseráveis e vazios do Amor Divino. Entrando pela Porta do coração de Jesus somos recriados no seu amor. É Jesus que nos retorna ao Pai, nos ensina os valores do Reino. É Ele que nos purifica de nossas más inclinações, que nos liberta de nossos vícios e nos livra da morte. Ao entrarmos pela Porta do Coração de Jesus somos justificados e lavados pelo seu Sangue e Água.
Este ato misericordioso de Jesus, abriu para toda a humanidade a Porta do seu Sagrado Coração. Jesus ofereceu para nós, através da mãe Igreja o Santo batismo, o qual nos tornou Filhos adotivos de Deus. Por ele nos tornamos Discípulos do amor misericordioso. Entramos como peregrinos num caminho seguro, caminho que nos torna sensíveis ao amor a Deus e aos irmãos. Se a experiência do Ano Santo foi verdadeira em nossa vida, não tem como não nos tornarmos Discípulos misericordiosos. É incompreensível experimentarmos a misericórdia do Pai e não sermos transformados em filhos misericordiosos.
Penso e creio que o Ano Santo da Misericórdia foi um presente de Deus para mim. E que bom se cada cristão desde o Papa, os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas até os neo-batizados entendessem e sentissem que Deus olhou profundamente com misericórdia para nossas misérias, nos preenchendo com o seu amor.
Irmãos e irmãs, sintamos que não somos um vaso vazio que serve somente de enfeite, mas somos vasos cheios da misericórdia de Deus, que podemos oferecer as mais belas flores para este mundo que tanto necessita e tem sede do verdadeiro amor.
O ano jubilar está se encerrando, mas não deixemos de crer e implorar a misericórdia de Deus por nós e por toda a humanidade. De forma simples, imploremos com a reza diária do Terço da divina misericórdia, ensinado por Jesus a Santa Faustina.
Roguemos à Virgem Maria, Mãe da Misericórdia que nos ajude a permanecer no Coração do seu Filho.
Roguemos à Santa Faustina que interceda por nós pecadores para que nos tornemos verdadeiros apóstolos da Divina misericórdia.
Roguemos a São João Paulo II que interceda por todos nos cristãos para que nos tornemos sinais da misericórdia de Deus.
Que assim seja. Amém!

Dom Estêvão da Divina Misericórdia,MDM
Fundador e Prior do Mosteiro da Divina Misericórdia 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A vida é um dom de Deus

A vida é um dom de Deus. Logo, a vida é um mistério. Quanto mais se aprofunda no mistério da vida encontrar-se-ão razão para louvar o Criador.
Assumindo-a, como um dom de deus, irá descobrir aos poucos a riqueza que existe neste dom. Ao descobrir, abrem-se as portas para contemplar a graça há dentro do mistério.
Por ser um mistério, não há explicação. Mas, percebe-se que cada segundo a natureza se renova. Tudo se faz novo: nem as células do nosso corpo de segundos atrás são as mesmas, o ar que respiramos no presente não é o mesmo que respiramos segundos atrás,
Isto a ciência tem conhecimento. Mas contemplar a vida e agradecer a deus por ela, somente pela luz do Espírito santo.
O criador ao doar a vida, imprime em cada uma um projeto de amor único. Este projeto se realiza dentro da liberdade que cada vida recebe ao ser criada.
Uma vez envolvida pela luz do próprio Criador, que se dá na abertura encontrada dentro da liberdade que recebeu, esta luz levará ao despojamento nas mãos do Criador que: deseja, espera, anseia para contemplar a resposta de gratidão da criatura para com o Criador.
Esta resposta de gratidão que se expressa através do agradecimento pela dádiva, leva a mergulhar na mais bela experiência, abrem-se os horizontes, reconhecendo que não depende de si para existir. A infinita misericórdia do criador quis que a existência fosse permitida em um determinado espaço, lugar e tempo. A vida é única e vivida neste mundo uma só vez. Assim, depende de cada um aproveitar bem cada instante que vive; pois cada momento é único. O dom da vida é obra divina e a direção dela é dada ao homem para que ele cresça no amor, na fidelidade que vem do criador.
Desta forma neste dia agradeço ao bom Deus pelos meus 50 anos.
Dom Estêvão da Divina Misericórdia, MDM

Lucélia, 28 de outubro de 2016.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Obras de misericórdia corporais

Aprendemos anteriormente as obras de misericórdia espirituais, agora nos propomos a refletir as obras de misericórdia corporais, de maneira fundamentada na Palavra de Deus, e na tradição da Igreja, conforme nos apresenta o Catecismo da Igreja Católica (CIC.2447).
Será uma oportunidade para fazermos exame de consciência, uma vez que o tempo quaresmal que estamos vivendo chama-nos a esse recolhimento e reflexão sobre como tem sido nossa conduta.
As obras de misericórdia corporais são sete: 1ª dar de comer a quem tem fome, 2ª dar de beber a quem tem sede, 3ª vestir os nus, 4ª acolher os peregrinos, 5ª dar assistência aos enfermos, 6ª visitar os presos e 7ª enterrar os mortos.
 São Mateus no Evangelho quando narra sobre o último julgamento nos diz:
 31“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:* ‘Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me rece­bestes em casa;36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’.37Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ 40Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ 41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar’.44E responderão também eles: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’ 45Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’ 46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”. (Cf. Mt25,31-46)

Listaremos a seguir as sete obras de misericórdia corporal:
Primeira: Dar de comer a quem tem fome: Como vimos no Evangelho é o próprio Jesus que na pessoa do irmão tem fome. Quantas vezes em nossos armários estragam alimentos e talvez na casa do vizinho, o mesmo alimento que estragou em nosso armário era o ingrediente que faltou em sua refeição ou o único que ele teria.
Segunda: Dar de beber a quem tem sede: Jesus disse: “Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa” (Mt 10, 42).
Nosso Brasil é muito grande em extensão e a maioria de nós, [alta paulista] temos o privilégio te ter água potável enganada em nossas residências. Mais existem muitos que são privados e tem de percorrer quilômetros para conseguir o mínimo de água para subsistência da família e dos animais. Se estamos longe dessas realidades como então exercitar essa obra de misericórdia? Podemos exercita-la economizando-a, usando de forma correta e consciente.
Terceira: Vestir os nus: Seu guarda roupa esta superlotado? Você já passou por aqueles momentos que disse  “um dia eu vou usar” ou “um dia eu vou precisar”, mas até hoje nunca usou ou nunca precisou? Pois é, existem pessoas que estão precisando dessas mesmas peças e não tem. Pesquisas apontam que roupas que não foram utilizadas durante um ano, a probabilidade de usa-las novamente é muito pouca.Quem tiver muita roupa partilhe com quem não tem, e faça o mesmo quem tiver alimento.” (Cf.Lc3, 11).

Diz são Tiago Apóstolo: 14Meus irmãos, de que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? 15Imaginai que um irmão ou uma irmã não tem o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; 16se então alguém de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos”, e: “Comei à vontade”, sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso? 17Assim também a fé: se não se traduz em obras, por si só está morta. (Cf.Tg 2,14-17)
Quarta: Acolher os peregrinos: Na sociedade que vivemos é imprudente acolher em nossa casa pessoas desconhecidas. Ao nos deportarmos ao Evangelho São Lucas nos diz que Nossa Senhora deixa à luz, envolveu o menino em faixas e deitou-o numa manjedoura porque não havia lugar para eles na sala. (Cf. Lc2,7). Com isso podemos traduzir perguntando-nos de como tem sido nossa acolhida até mesmo com os nossos, quanto tempo e atenção tenho dedicado ao afeto?
Uma atitude também concreta é ser solidário com os órgãos sociais e religiosos que cuidam dos desabrigados e sem teto. Encaminhar esses necessitados para esses locais é exercitar esta quarta obra de misericórdia.

Quinta: Dar assistência aos enfermos:  Na Sagrada Escritura encontramos inúmeros exemplos, desta obra de misericórdia exercida por Jesus que realizou diversas curas, tais como o leproso (Cf.Mc1,40-45), paralítico (Cf.Mc2,1-12), cura do filho do oficial real (Cf.Jo4,46-54) para Como a cura do filhos do oficial (Cf.Jo4,46-53), dentre tantos outros sinais.
Não temos o mesmo poder que Jesus, mais podemos visitar e ser presente com aqueles que sofrem com as doenças, sobretudo as doenças prolongadas. Muitas vezes marca mais uma pessoa quando é visitada em sua enfermidade do que as várias festas que participamos com ela.
Faz-nos também refletir como tem sido nossas pastorais da saúde, se tem atendido o suficiente nesses momentos frágeis da vida humana, se tem aumentado o numero de pessoas empenhadas com esse bem. Outra atitude concreta que se estende a essa obra de misericórdia corporal é se sou doador de sangue, doando vida.

Sexta: Visitar os presos: Disse Jesus no Evangelho de Mateus, “estive preso e vieste ver-me.” (Cf.Mt25,36). Nossa região [alta paulista] tem muitos presídios, podemos nos perguntar também como tem sido e se há pastoral carcerária em nossas dioceses, se sim, como tem sido. É um grande desafio, enquanto nos mantemos na zona de conforto, irmãos e irmãs detentos permanecem sem uma palavra de conforto e salvadora. Compreendemos que não é tão simples querer entrar em um presídio, mais nem por isso deixa-los no esquecimento, sem dignidade. Ouvimos grandes promessas em campanhas políticas mais após a eleição tudo cai no esquecimento e nos discursos auto defensivos.
Assistência aos familiares dos detentos também é uma grande obra de misericórdia, auxiliando-os financeiramente e, sobretudo a vencerem a discriminação.

Sétima: Enterrar os mortos: “O enterro dos mortos é uma obra de misericórdia corporal que honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo” (Cf.CIC.2300). Porque reconhecemos que naquele corpo foi manifestada a presença de Deus.
Muitos ao ouvirem falar em velórios e cemitérios se arrepiam, por quê? É importante nos perguntar, porque perguntando-nos sobre nossas reações e sentimentos vamos nos conhecendo e nos livrando de muita coisa que nos pesa.
Importante ressaltar que devemos praticar esse ato de acompanhar um enterro, velório, não como ato social, mais sim por solidariedade como ato de misericórdia. Dizia um santo que todas as vezes que olhava para um caixão pensava, hoje é você amanha sou eu. Diz também o livro Imitação de Cristo: “Se já viste alguém morrer, reflete que também tu passaras pelo mesmo caminho.” (Cf.IC, livroI,23,2)
Portanto, caros irmãos aproveitemos as graças que hoje a Igreja nos oferece, um ano cheio de misericórdia a transbordar para quem abre as mãos e o coração. Não deixe a graça passar.


Ir. Gabriel da Divina Misericórdia, MDM

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Obras de misericórdia espirituais

Neste Ano Santo da Misericórdia, somos chamados a exercer nossa fé, uma sugestão para isto é praticar obras de misericórdia. Afirma Santa Faustina Kowalska, “mesmo a fé mais forte de nada vale sem as obras”. (Diário n.742). Segundo o Papa Francisco, Jesus nos “apresenta estas obras de misericórdia para podermos perceber se vivemos ou não como seus discípulos.” (Cf.Misericordiae Vultus. n.15). Além do mais viver como discípulos de Cristo diante dos sinais de morte que existe no mundo é não deixar-nos vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem, dando o que comer e beber até mesmo a um inimigo faminto, pois assim, estaremos sendo sinais do reino implantando a misericórdia e a paz de Cristo. (Cf. Rm 12,17-21).
As obras de misericórdia corporais são sete: 1ª dar de comer a quem tem fome, 2ª dar de beber a quem tem sede, 3ª vestir os nus, 4ª acolher os peregrinos, 5ª dar assistência aos enfermos, 6ª visitar os presos e 7ª enterrar os mortos; as obras de misericórdia espirituais da mesma maneira são sete: 1ª aconselhar os indecisos, 2ª ensinar os ignorantes, 3ª corrigir os pecadores, 4ª consolar os aflitos, 5ª perdoar as ofensas, 6ª suportar com paciência as fraquezas do próximo e 7ª rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos. Neste artigo abordaremos todas as sete obras de misericórdia espirituais.
Primeira: Aconselhar os indecisos: É de nosso conhecimento que é nosso saudoso, São João Paulo II, é intitulado como o papa da misericórdia, e em uma de suas encíclicas, a Divis in Misericórdia, define a misericórdia como “o amor em exercício da Salvação”. Por esta razão devemos praticar as obras de misericórdia como exercício de Salvação pessoal, comunitária e social. Hoje em dia basta digitar uma pergunta, ou fazer uma pesquisa em qualquer – dos vários – buscador na internet que não nos falta conselhos, bons, duvidosos, interesseiros, ruins, [...] Ai cabe a reflexão: qual o melhor? Podemos também refletir, quais os conselhos que eu tenho oferecido? Conselhos bons, duvidosos, interesseiros, ruins? Ou conselhos que trazem libertação e Salvação?
Segunda: Ensinar os ignorantes: Resume-se em ensinar, aqueles que foram privados por algum motivo de uma boa educação e cultura, instruir as crianças desprovidas do necessário para crescerem socialmente e intelectualmente. Reconhecer que Cristo está no outro é uma grande alavanca para tornar-me instrumento de salvação e misericórdia, pois quanto mais aumenta em mim essa consciência compreenderei que se falo algo bom a outro, é para Cristo que o faço, se sou indiferente e rejeito, portanto, é a quem que o faço?
Terceira: Corrigir os pecadores: De que maneira? Responde São Paulo Apóstolo: “Irmãos, se porventura alguém for apanhado em falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão” (Cf.Gal 6,1). Mansidão um dos conselhos que o Apóstolo nos dá, seguido é necessário a prudência ao dirigir uma alma, pois ao instruir assumimos plena responsabilidade do caminho apresentado, se porventura dirigimos a um caminho errado e desconhecido seremos responsáveis pelo insucesso.
Suponhamos que devemos corrigir uma pessoa próxima, de inicio já encontraríamos resistência, quanto mais alguém não próximo, por isso chamamos atenção para o quesito da prudência.  Quem de nós já não resistimos a mudanças? Portanto tenha mansidão e prudência.
Quarta: Consolar os aflitos: Pergunta o fundador da Congregação dos Padres Marianos, Pe. Estanislau Papczynski: “O que há de mais difícil do que não ter quem se compadeça de nossa dor?” Devemos estar atentos para praticar essa obra espiritual de misericórdia para não cairmos no pecado da indiferença, ou melhor, na doença da indiferença que gera morte . Papczynski da um conselho muito interessante: “Estejam atentos cristãos. Alegrai até mesmo um inimigo triste, quando puderes.”
Vocês estão dispostos a serem misericordiosos? Disse Jesus que os misericordiosos alcançariam misericórdia, ou seja, se formos também misericórdia para o outro receberemos a recompensa do próximo e com certeza de Deus.
Quinta: Perdoar as ofensas: A quinta obra de misericórdia espiritual vem de encontro com uma das propostas do Ano Extraordinário da Misericórdia, que nos convida entrar no caminho de conversão. Esse caminho pode ter inicio oferecendo perdão, diz o Papa Francisco “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de deixar tocar o coração.” (Cf.Misericordiae Vultus, p22. Cap19).
Como filhos de Deus, somos chamados a oferecer o perdão e o receber, com confiança. Afirma o Padre Paulo Ricardo de Azevedo Junior que “A pessoa que não consegue libertar o perdão é porque se esqueceu de sua condição de pecador perdoado.” Portanto, se Deus nos perdoa e recebemos o seu perdão, como podemos deixar de perdoar quem nos ofendeu?
Sexta: Suportar com paciência as fraquezas do próximo: De inicio, dizemos, não é uma tarefa humana, sem a Graça de Deus é impossível, suportar com paciência as fraquezas dos outros. Percebemos que ao nos referirmos as obras de misericórdia, uma esta intimamente ligada a outra. Por exemplo: Uma mãe que, Aconselha – primeira obra, Ensina – segunda obra, Corrige – terceira obra, Consola – quarta obra, Perdoa – quinta obra, é chamada, portanto ir além, suportar com paciência as fraquezas, dos filhos, esposo, netos, sobrinhos, irmãos, irmãs, pais etc.
Sétima: Rezar pelos vivos e mortos: A doutrina cristã católica afirma que o acontecimento da morte deve ultrapassar as perspectivas deste mundo material em vista da fé na Ressurreição. (Cf.CIC.1787). Enfim devemos confiar a Deus cada um de nossos irmãos, vivos e mortos, pois ainda que mortos jamais estaremos separados, porque estaremos unidos a Cristo. (Cf. S. Simão de Tessalônica. Sep,367.pg155,685).
Podemos nos questionar: Quando rezo, lembro dos meus parentes e amigos, vivos ou mortos? Ou quando rezo peço somente para mim?

Ir. Gabriel da Divina Misericórdia, MDM

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Conferência a irmãs Clarissas



Nesta quinta-feira 15 de setembro de 2016, nosso prior Dom Estevão, esteve em Marília no Mosteiro Maria Imaculada, das irmãs Clarissas, em conferência com as irmãs falou sobre a importância da Misericórdia de Deus. Sua reflexão partiu da Sagrada Escritura, citando o Salmo 135 este que é um compendio da Misericórdia, citou pontos tocantes da vida Consagrada, sobretudo contemplativa, elucidou como podemos viver e ser misericordiosos entre aqueles que vivem conosco e disse que a revelação máxima da Misericórdia é o rosto de Jesus.

Dizia que o pecado original, cometido por Adão e Eva foi um “acidente”, onde o homem se desviou do olhar de Deus, olhou para si e desta forma descobriu que estava nú, sem intimidade com Deus. Adão e Eva e toda a geração tornaram-se miseráveis, desviaram seu olhar de Deus e perderam sua identidade de imagem e semelhança.
Dirigindo-se as irmãs, disse: “A maioria dos nossos maus sentimentos é porque não olhamos para Deus, não nos identificamos como filhos, tal como fomos criados. Nisto consiste a miséria humana, que olha somente para si.” Acrescentou: “Se queremos nos alegrar com nosso chamado tenhamos consciência que nossos pais Adão e Eva eram altamente contemplativos”, citando São Bernardo dizia que eles – Adão e Eva – eram contemplativos porque tinham os olhares fixos em Deus – antes do pecado –, além de contemplar toda obra criada não tiravam o olhar do seu criador e desta forma, dizia o prior: “compreendemos nossa vocação contemplativa.” Exortava as irmãs de clausura a voltarem-se ao amor misericordioso de Deus.
Ressaltou que a vida contemplativa é um grande sinal para um mundo marcado por tanta correria e medo. Os contemplativos através de sua entrega vivem “distribuindo fonte de misericórdia aos corações humanos”. 
Expos a beleza de viver este Ano Extraordinário da Misericórdia voltando-nos para a misericórdia, tendo consciência de nossas misérias, preocupações, cansaço, desanimo, desagrado como vindos de uma raiz, ou seja, do pecado original. E desta maneira fazer um percurso de retorno para o olhar de Deus, aquilo que Adão e Eva não o fizeram.

Foi um momento de riquezas espirituais inenarráveis e interação com as 14 monjas que expressaram alegria e desejo de Deus. Elas partilharam a graça de terem em seu mosteiro a Porta Santa da Misericórdia e como tem sido passar pela Porta Santa diariamente e oferecer indulgências para toda a humanidade.
Ir. Gabriel da Divina Misericórdia, MDM

sábado, 10 de setembro de 2016

“Se é somente na contemplação de Jesus Cristo que se colhe o rosto da misericórdia do Pai, a vida monástica constitui o caminho por excelência para fazer tal experiência contemplativa e traduzi-la em testemunho pessoal e comunitário” Papa Francisco